FRIDA KAHLO, INSTITUTO TOMIE OHTAKE E ORQUESTRA GPA

Há muito queria inaugurar esse BLOG, mas os tempos do “querer” diferem dos tempos do “poder”. De qualquer maneira, a forma mental leva à física, e aqui estamos, finalmente.

O que me motivou a escrever algumas linhas foi a experiência que vivi no domingo passado, no Instituto Tomie Ohtake, desfrutando a inspiradora exposição “Frida Kahlo – Conexões entre mulheres surrealistas do México”, e o concerto da Orquestra do Instituto GPA (Grupo Pão de Açúcar). Essa orquestra, dirigida por Daniel Misiuk e Renata Jaffé, é constituída por jovens de até 21 anos que aprenderam a tocar instrumentos de cordas (violinos, violas, violoncelos e contrabaixos) pelo método Jaffé, um sistema de ensino criado na década de 70 pelo violinista Alberto Jaffé. Através desse método, os jovens aprendem música em forma conjunta, sem aulas particulares, sem ensaios de naipe e sem estudo individual.  Mesmo sem conhecer detalhes ou especificidades do método em questão, a eficácia do mesmo pode ser comprovada pelos excelentes resultados apresentados.  A cada dia, os métodos de ensino coletivo de música mais me entusiasmam, pelos prodigiosos efeitos gerados pelos estímulos e pelos conceitos que norteiam esse tipo de atividade. Claro que “El Sistema” venezuelano é um expoente máximo representativo do sucesso desse tipo de experiência, mas há inúmeros outros exemplos em todo o mundo, alguns, muito bem-sucedidos, aqui no Brasil, como o Neojibá , o Instituto Bacarelli, o  “Orquestrando a Vida”, a Orquestra Sinfônica de Angra dos Reis, entre outros.

O entusiasmo dos jovens dessa orquestra e a naturalidade com que dominam seus instrumentos são admiráveis. É evidente o que a música pode fazer por um desses jovens, e o que eles podem fazer pela Música. O público fazia uma pausa da exposição da Frida para assistir ao concerto, e depois de escutar uma hora e meia de música, ainda pediam para a orquestra continuar!

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“Orquestra do Instituto GPA”

 

Um prazer à parte foi conhecer o despojado e ativo diretor do Instituto Tomie Ohtake, Ricardo Ohtake. Sua simpatia e dinamismo são contagiantes. Como um anfitrião muito à vontade em sua própria casa, recebeu a todos com simplicidade e elegância.  Um verdadeiro Gentleman.

 

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“Daniel Misiuk, Renata Jaffé e Ricardo Ohtake”

A exposição, propondo um contraponto entre obras de Frida e de outras artistas mexicanas e estrangeiras vinculadas ao surrealismo, nos revela um conjuntos de artistas com marcada personalidade e ousadia. Maria Izquierdo e Lola Álvares Bravo, como Frida Kahlo, dedicaram-se à recuperação e preservação das tradições culturais mexicanas. Alice Rahon e Remedios Varo interessaram-se vivamente pela cultura mexicana ao conhecerem Frida em Paris, em 1938, e acabaram se estabelecendo definitivamente nesse país ao fugirem da guerra na Europa.  Leonora Carrington, Kati Horna, Rosa Rolanda e Bridget Tichenor também se mudaram para o México onde produziram suas obras e ali passaram o resto de suas vidas. Outras artistas como Jacqueline Lamba e Silvia Fein, que tiveram sua sensibilidade tocada pelo contato, ainda que fugaz,  com as tradições ancestrais mexicanas, também tiveram suas obras exibidas nessa imperdível exposição.

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Seria um despropósito destacar os méritos das obras e fotos de Frida Kahlo que fazem parte da exposição. As obras falam por si mesmas, são deslumbrantes. Há que estar diante delas, sorvendo-as, respirando-as, beijando-as, para entender a grandeza dessa autora.  Saímos de lá restaurados, cientes de que há uma profunda beleza na individualidade da personalidade que se afirma, não vaidosamente, mas com a certeza de que seu legado como Ser único e irrepetível tem uma razão imperiosa de existir.

 

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 “Frida Kahlo –  Autorretrato con monos”

“Nunca tivera nas mãos um pedaço desta terra

vermelha da qual brotaram, idealmente maquiadas,

as estátuas de Colima que são, ao mesmo tempo,

mulher e cigarra; não tinha visto ainda, parecida a

elas no porte e ataviada como uma princesa lendária,

com seus encantos na gema dos dedos, em uma

flecha de luz do pássaro quetzal que, ao voar, deixa marcas

opalinas nas trincas das pedras: Frida Kahlo de Rivera”

André Breton

 

 

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